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São Paulo: Polícia Militar age com truculência contra servidores do Judiciário PDF Imprimir E-mail
Escrito por G. Massao Yamanoi   
Terça, 13 de Julho de 2010 - 12:47

"Acabou em conflito com a PM a Assembléia dos servidores do Poder Judiciário, realizada no dia 7 de julho, na praça João Mendes - Ao final da Assembléia, em que foi decidida a continuidade da greve, os servidores decidiram abraçar o prédio do Fórum João Mendes, em uma manifestação pacífica de protesto, pois mais uma vez o Tribunal de Justiça nada ofereceu aos grevistas. Logo no início da manifestação aconteceu a chegada de reforço da PM. A tropa de choque chegou de forma truculenta, alguns Pms se descontrolaram e utilizaram gás de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha contra os servidores. Os disparos também chegaram a atingir um transeunte que passava pela praça e colocaram em risco toda a população, demonstrando o despreparo dos Policiais e do seu comando para lidarem com situações como essa.
Vários servidores foram feridos e registraram Boletim de Ocorrência no 1º DP, localizado na rua da Glória, Centro. A presidente da AOJESP, Yvone Barreiros Moreira, foi atingida nas duas córneas por estilhaços de artefatos e uma bala de borracha disparada contra ela pela PM. No início da tarde ela foi atendida no hospital Santa Isabel, centro de São Paulo, onde permaneceu até por volta das 23 horas. Um homem desacordado demorou mais de 30 minutos para ser socorrido pelos bombeiros. Uma ambulância da OAB que se encontrava na praça João Mendes no momento do conflito não foi autorizada a socorrê-lo, o que gerou a revolta dos servidores.

A atitude do Tribunal de Justiça nos leva a tempos que todos queremos esquecer, tempos que já foram enterrados pela história recente do País, em que a ditadura fazia desses métodos a sua única forma de ação. No Estado de São Paulo até recentemente governado por um ex-presidente da UNE e hoje governado por um ex-militante de partido político colocado na clandestinidade pela ditadura, fomos obrigado a assistir um espetáculo dantesco, protagonizado pelos maus preparados policiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Por volta do meio dia de ontem, a comissão de representantes do servidores do Judiciário esteve no Palácio da Justiça, reunida com dois representantes do Tribunal, desembargadores Samuel e Willian. Para surpresa dos servidores, os representantes do TJ comunicaram que a proposta da semana anterior, que já era praticamente nenhuma, tinha agora piorado.
O Tribunal alega agora que não pode nem enviar projeto à Assembléia Legislativa pleiteando índice de 4,77% de reposição devido à vigência da lei eleitoral. Assim, a única “proposta” do TJ foi de que os grevistas retornassem imediatamente ao trabalho para, aí sim, ser discutido no pleno a adoção de mutirão para que os dias parados não fossem mais descontados.
Os representantes dos servidores saíram da reunião, que durou quase três horas, mais uma vez certos da intransigência do TJ e da necessidade da continuação do movimento grevista.
No início da noite cerca vários servidores se dirigiram até o 1º DP, localizado na rua da Glória, centro de São Paulo, onde registraram queixa contra a PM. Depois se dirigiram ao IML para a realização de exames de corpo de delito.
Os advogados Marcelo e Aline, da AOJESP, estiveram no 1º DP e puderam constatar a indignação dos servidores. Ainda na Delegacia, o servidor Paulo da Luz, escrevente de Carapicuíba, contou o que se passou: “No início do tumulto percebemos uma pessoa caída no chão, depois que foram jogadas bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Fomos em socorro a um passante e foi quando fui atingido. Não furamos o cordão de isolamento da PM, não provocamos nada. A provocação partiu de um PM, que estava visivelmente descontrolado e saiu correndo atrás de um servidor”, concluiu Paulo.
O servidor Rogério Gonçalves, escrevente de Itaquera também deu seu depoimento: “Nós estávamos próximos da entrada do público quando vimos que os Pms espirravam gás de pimenta contra um grupo de mulheres. Quando fui protegê-las, gratuitamente, fui atingido por uma bala de borracha disparada pelos Pms”, disse  Rogério.
A AOJESP lamenta e repudia com firmeza todos esses episódios e tomará todas as medidas legais para que os responsáveis sejam punidos exemplarmente.
A GREVE continua, agora mais forte do que nunca. Próxima Assembléia Geral marcada para quarta-feira, dia 14 de julho, na Praça João Mendes."

Fonte e fotos: AOJESP.